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envelheSer



sons vermelhos
amanhecem meu corpo
numa inquietação sem palavras

  depois, ao sol,
varro bem lentamente
sombras pra debaixo das coisas
como cinzas a cada lume de novo reunidas

  até que se espalha o crepúsculo
e a carne da alma vislumbra meu destino:
espelhar, desde sempre, sonhos jamais traduzidos

  sendo isso viver,
que sobra gozo senão
a beleza de uma lembrança
ainda que tão somente querida