fotogrifo

48

mosaico







cromatizando com sons sonhos devassados

prendendo na língua a carne das imagens

esculpindo palavras no esboço da alma

vamos reinventando o eterno agora










































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boiando no ar

texturas, melodias, perfumes, sabores...
sentimentos às vezes graves, outras agudos
 sentimentos com doces momentos côncavos
e amargos instantes convexos 
sentimentos ora aveludados, ora ásperos
sentimentos oportunos e amadeirados
mas em alguns casos, bem azedos
sentimentos de cores pesadas
ainda que luzam leves
boiando no ar




















46

envelheSer



sons vermelhos
amanhecem meu corpo
numa inquietação sem palavras

  depois, ao sol,
varro bem lentamente
sombras pra debaixo das coisas
como cinzas a cada lume de novo reunidas

  até que se espalha o crepúsculo
e a carne da alma vislumbra meu destino:
espelhar, desde sempre, sonhos jamais traduzidos

  sendo isso viver,
que sobra gozo senão
a beleza de uma lembrança
ainda que tão somente querida

































45


fazeção




na

poiesis

esteticatártica,

recaimento enunciativo

















44

dissonância



som silhuetou solidão
no descompasso da noite

não obstante
mal sabia quanto
fermatas tão violadas
martelavam outros vapores






















43

marciana



assuma o passado
sem dele ser refém;
aposte noutro futuro
sem dele ficar à mercê

viva vívida o viver
simplesmente
cada hoje
hoje
!





















42


comunhão



no mundo

bem nessa eterna

hora de quem ora mudo,

reverberando gesto a gotejar saudade,

spreeguiça, bem próxima, parábola à campeche


















41



zagaia, ludovico



justo naquele sábado
jogou novos signos

jipe sob sombra

jeito e silêncio
já sem sobressaltos
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alma do tempo



pontual transparência
em tarde cromada
sonora sabor
estrelando
água da noite
com aroma único
pra renascer o amanhã










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finesse





sempre que a faca descansa,
a paz comprova o gosto do amor;
contudo, se a lâmina corta com amor,
até as lágrimas descasam em paz.

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surreal


jamais desbota
essa infindável delicadeza
sustenida em espelho distorcido;
(afinal, porquanto, apesar de)
explodem perfumes claros
no tempero das almas
flutuando bemóis




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setembro



pérola

que se alonga em lágrima

ainda se condensa

em rosa
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em alguma curva
entre Lyon e Bourg-en-Bress
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nossas mãos,
feito fonemas diagonais,
entrecruzam sombras e prazeres
dizendo ternuras, mesmo em silêncio,
enquanto mil vírgulas acenam pela janela.

seguramente como símbolos da saudade,
agora muito mais comovente ainda,
nossas mãos guardam encantos
na ausência das palavras
jamais esquecidas.
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..
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certeza



mesmo que faltem agora
cabelos para fôlego dos cocais
nem saibamos como será o eclipse,
transparência desenha patacho
em desafios reveladores.

afinal, sem dúvida,
naquela noite fomos felizes;
inteiramente e para sempre felizes.
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34

acontece
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um punhal de fogo
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fissurou o avesso da alma
.
exibindo no lado intangível
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um silêncio que sublima
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paisagens do tempo
--------------------
como adoro
o sorriso
seu
!
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sim



ainda agora

essa hemorragia azul

consegue m'olhar seus óleos

qual eterna massagem das manhãs





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sapiências de sapeca

de soslaio, sorrateira
tal qual Vênus de veneta lasciva,
a felina rabicha
moldura picante no silêncio da lua.

noutras noites,
suave e densa como gimnopédias de Satie,
engravida o vento e faz nascer
vozes atracadas aos gravetos dos sonhos.

à la fin,
no armário das cinzas,
sem cerimônia
e com sua pelagem lembrando tule,
tranca o coração das cores
como se abortasse nos recifes, muito longe,
a maré mármore, eternamente longa.
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31

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revisão pascal

se amassando amargos pães
renovamos o gosto das manhãs;
se adentrando exílios nos desertos
relembramos a sombra das canções;
se engasgando soluços e sons vazios
recriamos a liberdade das vazantes;
se ajuntando tristezas em retalhos
remendamos a justiça descalça;
se habitando várzeas poluídas
repetimos um gol de placa;
se esbarrando em barracos
rebolamos na roda de samba;
se expirando pesadelos e insônias
reanimamos a eternidade dos sonhos
.- paz co' a páscoa, alegria!
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30



it no poslúdio
.

justo num domingo;
na véspera lhe faltou fôlego
e como em noventa e tantas vezes
foliões esperaram o destaque da avenida
em vão.
mesmo assim, unidos das outras Escolas
cantaram enredo de mistérios e fé
sem cuíca, surdo e tamborim;
justo como ele viveu.
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folha falha


era sutil, leve
máscara mágica
ondulação de seda

era promessa
de perfume verde
no flanco mais triste

era sonho
vapor das almas
como se eterno fosse
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28

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wi(n)dow
.veneziana vencida,
desfaz-se um desvelo.
janelas se põem a gemer,
trincos e tramelas tremem.

na luta contra o luto
ainda se esconde a noite.
contudo não faltam desejos;
mais dia menos dia: madrugada!


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poça de luz
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há uma beleza triste
do tamanho da coragem

há uma coragem mansa
que se mancha de vida

há uma vida vazante
que a angústia embeleza
.
há uma beleza
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26



alpharoad boys
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na lagoa da alegria
um tempo chamado encanto;
na vara da aventura
um som chamado segredo;
na linha da nuvem
um anzol chamado assovio;
na isca da esperteza
um peixe chamado espelho;
e na paleta da tarde
um bemol chamado bonito
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semáphoro de heráclito
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desce
desdito dia
e faísca frases
enquanto o breu
desaba com seu beijo
sombras onomatópicas

assim contíguos
cataclismos em crase
deságuam ríspidos verbos

e o azul
sobra no azul
- espelho do silêncio
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24


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cúpula


empampulhas macia seu monge
com silhuetas insinuando copanidades
e, deslumbrante, sambodromoves infinitos
numa névoa niemeyeriana de onírica alvorada





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mero esmero
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míopes lágrimas
não consolam mais os olhos meus
quem dera viesse vê-los derramar lâminas
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shirley


quando no desterro me lanças
e ipirangas em diagonal descalça,
paralelepípedos flutuam em teu azul,
pois ainda jabuticabas saudades úmidas.

(...)
engasgado no teu néctar nem sei quanto devo
e me rendo espraiado por tua boçoroca; rifa-me!

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a.z
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.silêncios em câmera lenta
molduras dentro d'alma
brotações pelo tempo
luzes por um triz
síncope à vida
cílios.filhos
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20

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tônus de outono



qual lua crescente na arbórea virilha,
meio a musgos e menarcas,
cogumelo se oferece a rubros lábios

ah! como são verdes
nos montes as distâncias
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velar



é se queimando
se destruindo
se martirizando
se consumindo
que a vela
vela
ama
e revela amar

acabando consigo mesma
na ponta da mesa
pra, de beleza,
o outro criar

o outro
que é o choro das lágrimas dela (a vela)
 — também seu corpo —
chora desenxugável coro

choro que cai do móvel imóvel
ficando pálido como um véu
descido do céu
(daquela)

ela sabe que pra sempre não subsistirá
e, portanto, insiste em existir no presente
como um presente
pro outro

ela o ilumina enquanto é noite
pois quando o dia for chegado
o inverno verá
traspassado
o verão passado
que, embora como fria neve pereça,
já foi fogo… quente
por incrível que pareça

a vela
vela
ama
e revela amar












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18


memórias de margot
.
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paleta que pousa perfeito
arquitetando com arte e alma
turquesas na treliça do tempo
aqui, assim, além
christais chuviscam catarses
hospedando no horizonte dos humores
ocres da orquestra oceânica
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17

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disposición

querido!
como amiga lhe digo que...

meu sorriso não te deixará traído
meu vazio não apagará tua ternura
meu cheiro não te permitirá solidão
meu desejo não represará teus afagos
meu dollar não te acometerá prejuízos
meu remorso não perderá teus favores
meu grito não te manterá amordaçado
meu limite não refutará teu horizonte
meu ontem não te cobrará presentes
meu hoje não roubará teu amanhã
meu viver não te obrigará morrer
meu ser não negará teu sorrir

e no meu adeus, se possível,
como amigo dirás: querida!
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esfuerzo pendiente
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embromando
meu embornal
mesmo sorrindo
a cabeça pe(n)sa
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colores de aromas sonoros
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retina hospeda pão caseiro
cheiro atina com-passada emoção
coração, nu e exposto, sangra sem gaze;
quase tudo é blue
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alabanza
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oh! bem dito sonho que se fez corpo
e levitou entre nós!
tua graça (a dourada) pro sempiterno gozo
esse boom tão geni(t)al nos daí!
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